quinta-feira, 3 de maio de 2012

Descrever para escrever


Descrição pode ser entendida como um discurso que pretende caracterizar algo ou alguém. Assim, caso disesse que Diego é moreno e sério ou que São Paulo é uma cidade violenta, estaria descrevendo. Agora, qual seria seu fim? Seria o de simplesmente qualificar um sujeito ou objeto, ou iria além disso?

Muitos escritores se limitam a essa primeira definição; ou seja, descrevem por descrever, como se alguma obrigação moral os impusse uma total representação do universo textual. Dessa postura podem sair aqueles textos enfadonhos e travados, que mais afastam do que atraem os leitores; portanto, comportamento prejudicial ao texto, já que compromete a transmissão da mensagem.

Por outro lado, outros imputam à descrição um fim; de modo que transformam ela, de um fim em si mesma, a um meio para dado objetivo. Daí sairia a possibilidade, por exemplo, de um autor adaptar a descrição de um cenário à visão de um personagem altista; o resultado seria obviamente bastante incomum.

Pelo fato dessa descrição, ao contrário daquela, ser moldada pelo autor - que retiraria ou acrescentaria, modificaria ou não - , ela evitaria os excessos ou redundâncias; consequentemente, a leitura tornaria-se dinâmica e atraente, já que no momento da descrição - geralmente encarada como ''aquela parte chata'' - guardaria informações importantes ao texto. Enfim, seria uma descrição inteligente.

PS - indico Graciliano Ramos e Isaac Asimov como exemplo de autores que escrevem objetivamente.

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